terça-feira, 24 de março de 2009
Apenas Ele
Eu era menina. Ele um lindo homem. Lindo e estranho demais, eu diria. Se bem que eu adorava até o seu jeito estranho. Ele sabia bem como me agradar, com suas palavras , digo , letras . Ele sabia que perto dele eu iria rir à toa, e choraria à toa também. Ele sabia que sabia muito sobre mim. Ele sabia que eu não sabia nada sobre ele. Nada além do que ele queria que eu soubesse. Homem forte, decidido, misterioso, objeto de desejo e perdição. Eu era menina nova querendo gostar de alguem, me perdi fácil, fácil. Perdi também algumas oportunidades. E a identidade. E eu podia perder mais, podia perder tudo. Tudo menos ele. Porque ele era tudo para mim, e eu não era nada sem ele. Os anos passaram... E de garota apaixonada passei a garota não tão apaixonada assim. Ele não gostava de garotas normais. Gostava de cabelos doidos, roupas alternativas e um carater incomum. E eu era assim, no molde exato, exatamente o que ele gostava. E embora mulher feita, permaneci sua garota. Ou, para as más línguas, seu brinquedo, bichinho de estimação. Por causa desse relacionamento , tive varios desentendimento com minha familia , que sabia o que eu pensava , via o que eu fazia e não entendi , me desentendi e ate hoje ouço cermões por esse relacionamento. Mas pouco me importei. Nutria por ele um sentimento grandioso demais, não havia espaço para os outros na minha vida. Aquele homem detinha o meu afeto e dominava o meu corpo. Amaria para sempre ele, apenas ele. Viveria para sempre com ele, por ele. Ele. Apenas ele. Tudo ele. Ele e eu. Eu e ele. Corpos destinados. Apaixonados. Condenados. E depois de alguns meses, de uma hora para outra, sem mais nem menos, ele se cansou, enjoou, perdeu o tesão. Nem o meu corpo o atraía mais. E quando ele me deixou, eu chorei. Chorei muito. Pois ele se foi e levou as minhas tão sonhadas férias , o meu sonho com ele, a minha alegria, a minha vida. Eu estava morta. Tão jovem, e morta. Mas eu precisava viver. E eu queria viver. Tornei-me mulher quando percebi isso. E foi como mulher que o tomei novamente em meus braços, pela última vez. Ele sabia que quem estava naquela cama não era o sua garota, era uma mulher. Uma Mulher não tão fácil de dominar. Por isso ele sentiu medo, e desejo. Eu senti a sua fragilidade. Ele sentiu a paixão. Eu não senti nada. E foi sem nada sentir que acariciei os seus cabelos. E beijei os seus lábios. E toquei o seu corpo. E pescoço. Ele sentia muito, tanto que não se conteve e gritou que me amava. Sim, ele era meu. Finalmente ele era meu. Completamente meu. E eu podia fazer com ele o que bem entendesse. E eu fiz. Apertei com força o seu pescoço, proporcionei o prazer de sentir o meu corpo. Ele parecia agradecido, pois não reagiu. Depois, o beijei ferozmente, e respirei o ar de seu último suspiro. Ele estava morto. Sim, eu tirei a vida dele. E não me julgo criminosa, nem me arrependo. Afinal, se era dele a minha vida, eu precisava da vida dele para voltar a viver.
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Um comentário:
Agora , agora eu entendo o que se passa.. O que se passa na sua cabeça. Peça perdão para a garota que conheci no ano passado por mim:? Diga a ela , que nunca tive a intenção , de machuca-la.
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